Ah, o amor…

Como tudo na vida, temos a tendência de querer encaixá-lo em uma forma pré-estabelecida…

Estamos vivemos um momento histórico onde o amor romântico encontra-se em decadência, e o interesse em uma relação amorosa, romântica e monogâmica também.

Mas a decadência não é o fim, é um estágio da nossa evolução. Necessário, diga-se de passagem. A  decadência não é do amor, nem do romance, a decadência é da artificialidade que envolveu esse terreno dos relacionamentos. E esta é a expressão do próprio amor buscando cultivar suas raízes em terrenos mais honestos, fraternos e propícios para sua existência.

Quando falamos de amor carnal, de desejo de união e namoro, estamos, principalmente, no território do planeta Vênus, e essa aproximação amorosa é também real. Mas, quando o amor sai do terreno humano e assume sua versão fantasiosa, pinta-se um mundo artificial para os sentidos, como um filme para a vida com cenas chapadas e sem profundidade, cinema ruim, seguindo o conceito “comercial de margarina”, com sorrisos e situações que, de maneira alguma, correspondem à realização do amor e da felicidade, que não é feita só de facilidade e felicidade o tempo todo,  e aí já não estamos lidando com Vênus, como desejo de união e completude através da realidade, e sim com Netuno, planeta transpessoal e uma oitava planetária maior que Vênus. Estamos lidando com o desejo de unirmo-nos em espírito e alma além da matéria. Mas, mesmo que seja o portador da centelha do amor divino, Netuno é o mestre das ilusões. E as indústrias usam e abusam de seu poder de compra e venda para lucrarem com a nossa vulnerabilidade, iludindo-nos, eliminando o paradoxo das relações, institucionalizando a heteronormatividade e aniquilando o amor.

Parece que falar de amor não-romântico e relacionamentos afetivos fora do padrão tradicional também tem se tornado algo massivo, e por um lado, muito bem vindo, que bom. Estamos rompendo com séculos do ciclo de abuso estrutural. Mas, por outro lado, é preciso guiarmo-nos através da identificação dos nossos próprios desejos para saber filtrar o que chega de fora para dentro e o que quer e precisa ser vivido de dentro para fora, pois a experiência amorosa e a construção de um relacionamento é única para cada ser humano.

Por exemplo, uma pessoa com uma expressiva quantidade de planetas ou asteróides na casa 7 de seu mapa natal, ou seja, com as energias voltadas para a linha do descendente, provavelmente sentirá enorme necessidade de companhia, assim como uma pessoa com as energias voltadas mais para o lado do ascendente (casa 1), talvez já não sinta tanta e tenha um chamado de se aventurar no mundo de forma mais independente. Tudo vai depender, obviamente, de outros pontos do mapa e dos aspectos que esses pontos fizerem entre si, o que importa é saber que cada um e cada uma de nós tem sua própria jornada.

O Sol caminha por Virgem até o dia 22/9, facilitando o exercício da rotina e anunciando que, é através de uma rotina que experimentamos e nos tornamos nós mesmos. Pois, Virgem é o receptáculo do nosso poder criativo, do verdadeiro amor que habita o nosso coração, e tem a missão de materializar na realidade consciente, justamente, o inconsciente, os sonhos, a expressão, não só do coração, mas do espírito e da alma, em corpo. Portanto, Virgem é a energia que viabiliza nossas criações, nosso ser, nossos desejos, nossos projetos. É onde desenvolvemos nossas habilidades através da prática e do servir em nome de algo maior.

E a Primavera vai se aproximando aos poucos como um bom presságio através da atenção que devotamos aos detalhes. É tempo de reestruturar as nossas investidas, buscando a palavra mais amorosa e a simplicidade em nossas ações. O mês conta com a articulação de Mercúrio chegando em Libra no dia 05/9 e ficando até o dia 27/9, e Vênus chegando em Leão no dia 06/9. O Sol em Virgem traz o nosso olhar para a experiência de um amor muito mais prático, simples e natural do que o amor-romântico, mas a alquimia do mês anuncia afetos fortes e intensos, onde toda a sensatez e discernimento do processo cósmico virginiano será exigida, pois, ainda teremos Marte retrogradando em Áries a partir do dia 10/9 até 14/11, enquanto que, nos dias 13/9 e 29/9 é a vez de Júpiter e Saturno, respectivamente, voltarem ao movimento direto em Capricórnio, rumo ao grande ponto de virada, em definitivo, para o signo de Aquário, em dezembro de 2020, inaugurando a Nova Era!