Reza: Teatro Negro Musical

///Reza: Teatro Negro Musical

A Arena do Sesc Copacabana recebe, de 31 de janeiro a 24 de fevereiro, a estreia nacional do espetáculo REZA, livre adaptação de Carmen Luz para teatro, negro e musical, do conto Reza de Mãe, do escritor paulistano Allan da Rosa. Com elenco formado pela Orquestra de Pretos Novos, a peça narra a saga urbana de três diferentes mulheres negras chamadas Pérolas, moradoras da periferia carioca, para sobreviver, criar e proteger seus filhos.

A respeito do conceito de REZA, a diretora Carmen Luz, que também assina a adaptação, nos revela que “Reza é uma perspectiva, onde as imagens, a fala e a escuta constituem rezas, ou seja, formas de relacionamento com a precariedade de nossa existência. Uma perspectiva aberta à instabilidade, ao diálogo e ao desejo permanente de comunicar outras epistemologias, diferentes sensibilidades, modos de ser, modos de estar e falar, modos de viver presentes na vida negra periférica.”

Em cena três músicos e sete jovens artistas, especializados em canto, teatro e música, autodeclarados negros e com identidades sexuais diversas, oriundos de diferentes classes sociais e territórios brasileiros, mas baseados no Rio. A observação e o convívio diário na vida urbana carioca junto ao background desses artistas, constituem a base da adaptação teatral e da performance artística de cada um.

A adaptação adensa os sentidos líricos e míticos presentes no conto de Allan da Rosa, recria seus personagens e os reinstala no campo urbano de uma outra cidade, reconstrói os sentidos de um universo sobredeterminado: o universo dos pobres cariocas e periféricos. O que se verá, então, expõe e reflete a subalternização diária dos seres, dos becos e das “quebradas”; mas, também, a invenção dos “rôles”, a sobrevivência como experiência criativa, dependente de colaboração, de solidariedade e, no melhor dos casos, de empatia.
“Reza é, também, concebida como homenagem; um tributo aos nossos antepassados africanos bantos, os pretos novos: nomenclatura genérica dada aos homens e as mulheres que recém-chegados à força para a escravidão em nossa cidade maravilhosa, sucumbiam. Sem rituais, seus corpos eram alvo do bruto descarte e apodreciam a céu aberto. Reza assume que essa tragédia se prolonga nos corpos das pessoas negras periféricas, objetos de permanente descarte político-social, sujeitos de profundos traumas e conflitos existenciais. É para eles, os nossos antepassados, e para nós, negras e negros periféricos globais de agora, a realização do nosso Reza; mas é, também, para todos os que creem que as imagens, a fala e a escuta concentram poderes capazes de provocar transformações e, portanto, curas”, declara Carmen Luz.

As apresentações de REZA acontecem de quinta a domingo, às 19h, na Arena do Sesc Copacabana, Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, com ingressos a partir de 15 reais.

Currículos

Artista transdisciplinar CARMEN LUZ nasceu, vive e trabalha na cidade do Rio de Janeiro. Compõe, atua e dirige obras cênicas presenciais (de dança, teatro e performance) e realizações audiovisuais (cinema-documentário, vídeos de dança e instalação). Trabalha, também profissionalmente, como pesquisadora independente, como consultora e como docente nas áreas audiovisual e práticas contemporâneas de dança e teatro. Pesquisa os sujeitos afrodescendentes, seus corpos, seus pensamentos, suas manifestações culturais e artísticas, abordando, com especial interesse, as memórias de mulheres negras das Américas e o cotidiano de crianças e jovens moradores dos grandes centros urbanos e suas periferias, conectando-os aos processos políticos regionais e globais.

É mestre em Artes e Cultura Contemporânea pela UERJ; pós-graduada em Teatro pela UFRJ, onde também concluiu bacharelado e licenciatura em Língua Portuguesa e Literaturas; pós-graduada em Cinema-Documentário pela Fundação Getulio Vargas/RJ; estudou direção de cinema no Instituto Brasileiro do Audiovisual/Escola de Cinema Darcy Ribeiro; interpretação teatral na Escola de Teatro Martins Pena; e dança na Escola Angel Vianna. É professora da disciplina Danças Negras, na Faculdade Angel Vianna e professora-colaboradora no Instituto Brasileiro do Audiovisual/Escola de Cinema Darcy Ribeiro, nas áreas de Documentário, História do Cinema e Orientação de Projetos discentes. É fundadora, coreógrafa e diretora artística da Cia.Étnica de Dança e Teatro, desde 1994.

Artista premiada por suas performances e produção cinematográfica, Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras – Prêmio Afro, Prêmio Urbanidade pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil do RJ, Carmen Luz foi agraciada com o primeiro Prêmio Rio Mulher da Prefeitura do RJ, recebeu menção honrosa da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do RJ.

Sua biografia, processos artísticos e opiniões constam em livros de referência como Mulheres Negras do Brasil, de Schuman Schumaher (Prêmio Jabuti 2008); Mulheres de Poder/Mulheres no Poder, de Liliane Rodrigues; Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, de Nei Lopes, Midia e Racismo, de Silvia Ramos, Le Théâtre Noir Brésilien, de Christine Douxami, entre outros.

O escritor ALLAN DA ROSA graduou-se em História pela Universidade de São Paulo – USP, onde em seguida fez o mestrado em Cultura e Educação. Integrou grupos de dança, teatro e capoeira, como o Teatro Popular Solano Trindade, em Embu das Artes, o Grupo Cupuaçu – Danças e Tradições Afromaranhenses, o Grupo de Dança Afrocontemporânea Aluvayê e o Núcleo de Consciência Negra da ECA-USP. Fundou em 2005 a editora Toró, para publicar as obras de autores formados no Sarau da Cooperifa.

Compositor, arranjador, instrumentista e cantor, ANDRÉ MUATO é bacharel em Música com habilitação em violão pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, tem atuado no teatro musical brasileiro desde 2015 (“Andança – Beth Carvalho” de Ernesto Piccolo e Rildo Hora; “Cartola – O Mundo é um Moinho”, de Roberto Lage e Rildo Hora; “Rio Mais Brasil” de Ulysses Cruz, Carlos Bauzys e Daniel Rocha). Atualmente está no elenco do musical “Dona Ivone Lara – Sorriso Negro”, de Elísio Lopes Jr. Seus mais recentes projetos na música tem sido o Duo com Clarice Assad, o projeto 50 Anos de Afrosambas com Cristovão Bastos e Robertinho Silva e seu próprio show autoral.

A ORQUESTRA DE PRETOS NOVOS é um grupo de artistas negros que fundamentam no Teatro e na Música o desejo de pensar e experimentar a dramaturgia e encenação negra brasileira. Com o intuito de promover uma outra vertente possível à criação do Teatro Musical e partindo dos aspectos artísticos da negritude contemporânea, o texto Reza de Mãe, de Allan da Rosa, foi escolhido como primeiro aporte dramatúrgico de aprofundamento nessa pesquisa. Com direção geral de Carmen Luz e direção musical de André Muato, a Orquestra, aqui vinculada na harmonia entre texto e música, pretende entregar ao público uma experiência absolutamente instigante e plural.


Ficha técnica

“Reza”
Livre adaptação para teatro, negro e musical, do conto Reza de Mãe, do escritor paulistano Allan da Rosa
Direção e Adaptação: Carmen Luz
Elenco: Wal Azzolini (Pérola), Andre Muato (Peão/Cão), Edmundo Vitor (Lavanda), Lorena Lima (Lavanda), Luiza Loroza (PérolaFunk), Leonardo Paixão (Dona PérolaIrina) e Samara Costa (Lavanda)
Músicos: Vinicius Santos (violão, guitarra, bandolim e violino), Júlio Florindo (contrabaixo elétrico e acústico) e Thiago Kobe (bateria, percussão e vibrafone)
Direção Musical e Composições Originais: Andre Muato
Produção: Paulo Mattos e Junior Godim
Coreografia: Cia.Étnica de Dança (Alison Moreira, Amanda Corrêa e Carmen Luz)
Figurinos e Adereços: Marah Silva, Gessica Justino, Iara Neri e Carmina Dellaluccia
Iluminação: Mantovani Luz
Design de Som: Branco Ferreira
Preparação Corporal: Amanda Corrêa, Alison Moreira e Wall Azzolini
Preparação Vocal: Angela Hertz, Luiza Adnet, Luiza Borges
Fonoaudióloga: Ana Calvente
Assistentes de Direção: Amanda Corrêa, Patrick Batista e Alison Moreira
Assistentes de Produção: Leo Paixão, Patrick Batista e Orquestra de Pretxs Novxs
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Design Gráfico: Alonso Martinez
Fotografia: Claudia Ferreira e Adriana Medeiros
Vídeo: Carmen Luz e Ronaldo Soares
Costureira: Iara Neri
Parcerias: Caces, Atelier Cretismo
Produtores Associados: Espaço Sequência, Cia. Étnica Produções Artísticas Ltda.
Idealização do Projeto Orquestra de Pretxs Novxs: Andre Muato
Realização: Orquestra de Pretxs Novxs


Serviço

“Reza”
Livre adaptação para teatro, negro e musical, do conto Reza de Mãe, do escritor paulistano Allan da Rosa
Direção e Adaptação: Carmen Luz
Elenco: Wal Azzolini, Andre Muato, Edmundo Vitor, Lorena Lima, Luiza Loroza, Leonardo Paixão e Samara Costa.
Músicos: Vinicius Santos, Júlio Florindo e Thiago Kobe
Local: Arena do Sesc Copacabana
Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro
Temporada: 31 de janeiro a 24 de fevereiro,  quinta a domingo, às 19h.
Ingressos: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia), R$ 30 (inteira)
Informações: (21) 2547-0156
Gênero: Musical
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos


2019-01-25T12:38:41+00:00

Sobre o Autor:

Sheyla de Castilho
Sheyla de Castilho é produtora cultural, cenógrafa, artista visual, atriz e performer. Poeta. Entusiasta do acaso, de idéias mirabolantes, parcerias intuitivas e afetos transcendentais, na Vênus Digital atua como Produtora de Conteúdo, Gerente de Mídias Sociais e acima de tudo, propagadora do Amor em toda sua amplitude.

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