A montagem, uma “Alice para adultos”, investe no cruzamento de linguagens artísticas – a criação de uma cena híbrida que cruza audiovisual, movimento, instalação, arte sonora e artes visuais. A trama se desenvolve numa atmosfera sensorial em que movimento, som e imagens se fundem numa dramaturgia fragmentada, com cenas que se passam como composições fotográficas que passeiam pelo universo lúdico mas também tenebroso da infância.


“Quando digo “Alice cresce”, quero dizer que ela se torna maior do que era. Mas por isso mesmo ela também se torna menor do que é agora. Sem dúvida, não é ao mesmo tempo que ela é maior e menor. Mas é ao mesmo tempo que ela se torna um e outro.” (Gilles Deleuze, “Lógica do Sentido”).

Temas como violência, medo e infância formam o principal eixo para a composição do espetáculo, que se desenvolve numa atmosfera sensorial e dinâmica onde movimento, som e imagens compõem uma dramaturgia fragmentada, conduzindo o público ao universo lúdico mas, também, tenebroso da infância.

O processo criativo do espetáculo foi também atravessado pelos polêmicos dados biográficos sobre o autor, Lewis Carroll, cujas acusações de interesses por crianças ultrapassariam o afeto comum.

“Alice é um grito. Um protesto ao áspero momento político mundial. Através dessa obra ícone da literatura universal, buscamos criar um espetáculo que produza perguntas no público, abordando questões como o racismo, a violência de gênero, a instituição família, as relações de poder, a violência urbana, entre outros temas que dia após dia nos atravessam nas esferas políticas, econômicas e sociais.”, explica do diretor.

BREVE SINOPSE

Alice (Clara Hernandes) é uma adolescente branca que vive sob os cuidados de uma família negra. Mãe (Mariana da Costa), Pai (Tito Lima), Irmão (Rodrigo Barizon) e Madrinha (Evelyn Rocha) tratam a menina com excesso de zelo e tentam protegê-la do “mundo lá fora”. Mas uma sucessão de conflitos e estranhos personagens invadem a vida (ou a mente) de Alice, que tenta se entender e se libertar.

A MONTAGEM

“O País das Maravilhas seria um lugar ideal ou a possibilidade de fazer um encontro com seus próprios medos, seus fantasmas, sua própria fantasia?”, se pergunta a companhia.

As cenas se passam como composições fotográficas onde os acontecimentos não tem relação narrativa em evolução. Visualidade, som e movimento trazem um fluxo caótico que cria obstáculos para a trajetória da personagem-título. O espetáculo é uma experiência sensorial onde o real se confunde com o imaginário, a ficção com a biografia.

São marcantes na montagem o diálogo com as artes visuais e a presença de música, canto e dança – embora não configurem um espetáculo musical.

SINOPSE DETALHADANum dia comum, Alice desperta de um pesadelo e ouve sua família aos gritos tentando acordá-la para ir à escola. A partir deste momento, Alice vai enfrentando obstáculos que a colocam o tempo inteiro em questão sobre quem é, apresentando os conflitos de uma menina cujo corpo transita – talvez rápido demais – da infância à vida adulta.

Ao longo do seu dia, um homem some e aparece em seu caminho diversas vezes. Ora oferecendo presentes e cuidados, ora querendo fotografá-la. Mas Alice não aceita, pois não gosta do que vê quando se olha no espelho. Se acha gorda, feia, não gosta da cor da sua pele e nem do próprio cabelo, apresentando possíveis distúrbios de autoimagem e uma inclinação a transtornos alimentares. Sendo assim, acha que ninguém se interessaria em fotografá-la de verdade, desconfiando das verdadeiras intenções daquele homem velho e enigmático.

Este homem – uma alusão a Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas – também insiste em convidar Alice para “A hora do chá”, tradição britânica utilizada como metáfora para um mundo mais racional, concreto e hostil onde geralmente morrem os sonhos e as fantasias da infância. A Mãe de Alice também insiste em fazê-la tomar o chá, reforçando a ideia de tentar trazê-la o mais breve possível ao que julga ser o verdadeiro mundo real. A partir disso, diversos acontecimentos apresentam Alice a este “mundo real”, produzindo nela medo e consequentemente um desejo incessante de fugir. Enquanto tenta escapar Alice se depara com seus próprios fantasmas, passando a questionar se esse mundo seria realmente o País das Maravilhas.

ESTREIA INTERNACIONAL NO FESTIVAL FRINGE DE EDIMBURGO

“ALICE – debaixo da terra mora minha mente soterrada” teve sua estreia em agosto de 2017 no Fringe Festival Edinburgh, na Escócia, onde ficou em cartaz durante um mês no Teatro Zoo Venues. Em seguida, em março de 2018, foi para o México para temporadas no Teatro Esperanza Cabrera e no Espaço Cultural Hangar.


FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: BAK Artes Performativas – a partir da obra de Lewis Carroll

Direção e Concepção: João Marcelo Pallottino 
Elenco: Clara Hernandes, Derek Rosma, Douglas Desimone, Enildo Dellatorre, Evelyn Rocha, Isabela Vicarpi, Israel Eyer, Rodrigo Barizon, Mariana da Costa, Tito Lima, Vê Barbosa

ALICE – Clara Hernandes

Mãe – Mariana da Costa

Pai – Tito Lima

Irmão – Rodrigo Barizon

Madrinha – Evelyn Rocha

Homem da Cartola – Douglas Desimone

Mulher do Relógio – Isabela Vicarpi

Homem Velho – Enildo Dellatorre

Homem perverso 1 – Israel Eyer

Homem Perverso 2 – Derek Rosma

Mulher abusada – Vê Barbosa

Letras Musicais: Isabela Vicarpi

Trilha sonora: Carlos Eduardo Soares (Caeso)

Cenografia: João Marcelo Pallottino

Criação luminárias: Enildo Dellatorre e Gleydson Lopes

Iluminação: Gleydson Lopes
Assistente de iluminação: Desirée Koppke

Figurino: BAK Artes Performativas

Visagismo: Evelyn Rocha
Fotos da Capa: Aguinaldo Flor e Fernando Cunha Jr.

Fotos de Cena: Renato Mangolin

Programação Visual: Barbara Lana

Produção Executiva: Isabele Moura

Direção de Produção: Mariana da Costa

Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany