Amor em tempos de solidão

///Amor em tempos de solidão

São estes, misteriosos tempos de solidão. A solidão do trabalho, do transporte público, do lar; a solidão dos e-mails, das mensagens, dos likes; a solidão de não ser ouvido, de não ser considerado importante. É a tragédia do anonimato público.
A pior solidão é aquela em que, sendo livres para amar, não amamos ninguém. E, amando, não somos correspondidos. Sendo correspondidos, não sabemos lidar com a relação, e perdemos. Esta é a solidão da inabilidade em lidar com o amor: um estado de espírito sempre ansioso causado pela constante proximidade com a possibilidade do amor que não se concretiza nunca.
A solidão que não vai embora adoece. Apodrece o corpo. Corrói a mente de canto a canto. Enferruja as articulações. Deprime, enfraquece e destrói. Aquele que ama em solidão sofre mais. É rejeitado. E, pela rejeição, sucumbe às trevas da própria imaginação. Vaga pelas ruas com um sorriso no rosto e uma alma entristecida. É tomado por um amargor no paladar. Uma constante náusea sem motivo, que aparece pela manhã, depois do almoço e, quando chega à noite, se apossa do sono. De vez em quando, surge a inveja das flores que nascem.

A solidão que nunca se vai é a maldição daqueles que estão destinados ao amor.
Estes, são tempos de solidão. Mas não deveriam ser. Somos livres para fazer o que quisermos, quando quisermos e como quisermos. Livres para nos expressarmos. Livres para sermos o próprio sonho. E, no entanto, aprisionados em nós, solidões inconvenientes nos invadem. Se o amor cura, como fazer? Não existe, talvez, nenhuma receita.
O amor que aniquila a solidão é tão misterioso quanto estes misteriosos tempos de solidão.

2018-07-13T16:18:14+00:00

Sobre o Autor:

Joel Ramos
Joel Ramos: Formado em engenharia eletrônica com mestrado em engenharia eletrônica na área de inteligência artificial e consciência de máquina. Pesquisa sobre relacionamentos e sobre a natureza humana há aproximadamente 10 anos. Sua busca está voltada para a compreensão do que nos torna humanos, e de como nós podemos nos elevar em consciência para realizar conexões mais intensas e sustentáveis. Na Vênus Digital publica quinzenalmente em sua coluna “Manifestações do amor”.

4 Comments

  1. Rosane 25/04/2018 em 01:04 - Responder

    Profundo…

  2. Évelin Rose Zilzke 25/04/2018 em 17:47 - Responder

    Que texto é este???
    Muito bom,até me emocionei..
    parabéns pela sensibilidade e colocação das palavras
    Isto é saber muito sobre solitários que não conseguem exprimir em palavras os sentimentos da alma
    💚

  3. Isabel. 25/04/2018 em 20:55 - Responder

    Muito bom João

  4. Beth B. 11/05/2018 em 09:08 - Responder

    Cativante. Solidariedade a solidão

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