Amor em tempos de Tinder

///Amor em tempos de Tinder

Estamos vivendo tempos em que muito se preza a liberdade, individualidade e o respeito nos relacionamentos, entretanto é importante pensarmos que situações e tecnologias podem ser incompatíveis com um relacionamento bom, compromissado, envolvente e profundo em seus sentimentos.

Pensemos em situações em que uma das partes priorize sair com amigos, ou fazer atividades favoritas em detrimento do par, ou ainda, ficar só a estar com o parceiro, como tais condições podem contribuir para o relacionamento se no nosso dia a dia estamos tão envolvidos e consumidos pelo nosso trabalho, afazeres, atividade física, enfim obrigações e responsabilidades das quais não conseguimos nos desvencilhar.

É preciso que tenhamos um espaço significativo de tempo para que possamos dedicar ao relacionamento, pois, ao contrário do que muitos pensam, o relacionamento só irá se desenvolver, crescer, aprofundar e evoluir com a convivência, com o contato constante e em diferentes situações e momentos de nossas vidas.

Se pensarmos nos aplicativos de relacionamento, que inicialmente tem o propósito de aproximar pessoas e favorecer os conhecerem-se, mas o que observamos cada vez mais são as pessoas, de uma forma geral, utilizarem como meio de viver relações rápidas, principalmente sexuais, fazendo com que as pessoas se vejam vivendo amores ‘líquidos’ e fugazes. Líquidos aqui no sentido mesmo de rápida absorção e dispersão e que duram pouco.

É preciso que se tenha condições muito claras sobre o seu uso quando se está num relacionamento sério e compromissado, pois certamente a utilização do aplicativo por uma das partes ou por ambos, é problema futuro na certa, afinal nada justifica o seu uso, uma vez que se está vivendo uma parceria que certamente exigirá atenção, empenho, cuidado, dedicação, por vezes, esforço, zelo, paciência, tolerância e mil e uma arte para que possam fazer a convivência dar certo e vingar.

Não se pode ter a ilusão de que tudo será sempre lindo e maravilhoso no relacionamento; e que não existirão divergências, problemas, dificuldades, conflitos e mesmo discussão e desentendimentos. Todo início de relacionamento, no furor da paixão e do tesão, as partes de um relacionamento nutrem a falsa ideia de que não terão situações adversas, e muitas vezes nesta construção acabam desconsiderando diferenças significativas que poderão trazer frustrações, decepções e desilusões.

Frente a tamanhos desafios da convivência a dois, ter mais um elemento como o aplicativo interferindo, pode não ser a melhor das alternativas; primeiro porque foge dos propósitos de se estar junto, segundo por ser um estímulo permanente e de fácil acesso, pode criar uma tentação externa desnecessária e de alto risco para o relacionamento.

Para que a convivência possa ser a mais saudável é preciso que ambos saibam quais são os seus propósitos afetivos e relacionais, desta forma, definir claramente o que cabe ou não na vida a dois. Se cabe uso ou não de aplicativo de relacionamento, ou mesmo, tê-lo instalado ou não. Novamente reforço qual a necessidade, intenção e objetivos, não para com o aplicativo, mas sim para com o par, é desejo de ambos estreitar e intensificar a convivência e os sentimentos envolvidos? É desejo permanecerem juntos pensando em futuro e criando expectativas, idealizando sonhos e objetivos comuns? Vontade de ambos pensarem em estruturar e planejar uma vida em comum? Se afirmativo para todas estas situações acessar ou ter o aplicativo instalado torna-se um despropósito, portanto deve ser banido pelos dois.

Enfim existem uns sem números de condições, ideais, anseios, desejos para um relacionamento que avaliem ser saudável, agradável, prazeroso e significativo que precisa ser definido e decidido por ambos, e não ficar só na expectativa ou ideal de uma das partes.

Não é incomum dois estarem se relacionando e só um ter ideais e expectativas de permanecerem juntos, nestas condições o relacionamento não irá fluir e não evoluirá para um relacionamento sério e compromissado, o que pode de antemão fadar ao fracasso.

Claro que mesmo em relacionamentos fortuitos e fugazes podem acontecer sentimentos, afeto e mesmo amor, entretanto para se tornar um relacionamento mais sério e significativo é preciso que se aprofundem nestes sentimentos tornando-os mais densos e encorpados traduzindo maior envolvimento e representatividade para ambos.

Não existe uma forma ou a mais correta em se tratando de relacionamento e vida a dois, mas sim tudo aquilo que caberá melhor na convivência, conhecimento, intensidade, aprofundamento e troca na parceria, portanto mais do que ficar pensando em receitas mágicas, tenha claro que vocês serão responsáveis por criar e incrementar sua própria receita de relacionamento.

Viva, crie, envolva-se, aprofunde-se nos sentimentos e ame intensamente, seja feliz sem restrições ou censura!


Foto Chad Madden

2018-06-15T18:52:41+00:00

Sobre o Autor:

Eduardo Yabusaki
Eduardo Yabusaki é psicólogo formado pela UniFMU de São Paulo em 1990. Especializado em Terapia Comportamental Cognitiva, Educação Sexual, Sexologia Clínica e Terapia de Casal. Pósgraduado em Sexologia pela Faculdade de Medicina do ABC. Experiência de 27 anos atuando em Sexologia. Consultor em programas como Jornal Hoje – Globo, Record Minas e Canal Futura. Membro do ITHS – Instituto de Terapia e Habilidades Sociais e NTPC – Núcleo Terapêutico de Psicologia Comportamental. Na Vênus Digital atua como colunista. É responsável pelo site: www.vidadecasalbh.com.br

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